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Mostrando postagens de Junho, 2016

de reconhecimento,

no meio da multidão
reencontros pelo olhar
sorrisos abertos
abraço de carinho antigo
me olhou
e me apresentou:

- essa mulher é foda, ela é massa demais.

sorri, sem jeito
deixando o foco passar
na verdade
fiquei a refletir
sobre essa mulher
que parece adormecida 
do lado de cá
deu saudades, de sê-la
e de reconhecê-la mais vezes.



sobre o amor,

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te tenho afeto marcado em meu peito sei que toda fase de transição é por si só dolorosa eu não temo a dor e você não deve temê-la também, em nada nessa vida.
a gente é feito do sentir.
 sei, aqui comigo, o quão necessito aprender mais do amor,  e tem coisa mesmo  que só se aprende vivendo, permitindo-se ser.
todos nós, desatarmos-nos das nossas couraças, mais profundas.
quando desejei que o tempo  fosse mais devagar ele foi mais devagar e eu continuei em alta velocidade.
te vejo grande dentro dos teus sonhos e isso, hoje, me traz a possibilidade de enxergar o dentrofora de mim que gritava, e eu calei, agora  me vejo grande  nos meus sonhos também.
todos nós realizáveis todos nós caminhos de desejos todos nós dispostos a realizar  tudo que nos cabe e que nos faz transbordar em nossos corações.
te tenho afeto  guardado num espaço quente do peito por ter aprendido tanto sobre mim nesse intervalo bom em que juntos vivemos.
"você viu, só que amor, nunca vi coisa assim..."
ps: para Leo.


sobre o afeto,

Quando minha mãe faleceu eu pude entender de verdade o que era a dor, antes era só treino. Perder alguém que você tem uma ligação muito forte é tão tanto, que às vezes não comporta e você transborda se desfazendo, pensando que é o fim, pensando que o amanhã de repente não tem mais sentido. Mas é depois do desfazer-se que vem também algum lapso-momento-pausa de consciência em que é definido algo prático e racional. Comigo foi assim. Eu tinha definido que nenhuma dor seria maior que aquela, que qualquer coisa dali em diante seria suportável. E é, até então. Só que tenho descoberto que para além da compreensão da dor e do quanto ela é necessária (que é diferente de condicional - vide "síndrome de Jesus") para um crescimento, ainda preciso um tanto compreender do caminho do afeto. E o afeto-referência pra mim cabia confortavelmente dentro do amor incondicional de minha mãe, que virou memória. Com ela sempre soube que eu nunca estaria sozinha, perdida, sem parâmetro, sem acolhime…

de quando das estações,

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ver gente, dói
ficar sozinha, dói
se esconder, dói
ouvir música, dói toda marca, dói a lembrança, dói o quase futuro, dói
tudo agora é dor e tempestade quando não é tempestade, é seca e às vezes temporárias nuvens  encobertas de sol - de quando aparece alguma esperança chamada amanhãtempo
eu sei, vai passar mas até lá  tenho mil estações dentro de mim
vez em quando sinto nada vez em quando sinto tudo, sinto muito
a gente falava tanto  em flores ~ primavera ~ e eu queria saber  porque a gente não conseguiu mais florir?
e mesmo sem saber,  na verdade, eu já sei, e por isso dói mais.



caminhos,

saber-nos fim, sim. 
por mais que dor, por mais que soluços, 
não há mais esperança que iluda um futuro. 

nesse presente
o que importa são nossos agoras
que já são novos começos, por fim e enfim.

carinho é semente 
pronta pra brotar frutos
não esquecerei desse intervalo bom,
a vida só precisa seguir.

vamos?


SIGAMOS






da arte de se reinventar,

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olhei tuas mãos, cada detalhe dos teus dedos, dos teus mapas, guardei teu toque. teus olhos, teu olhar, tuas cores. guardei da tua boca e provei o sabor de novo. até que chegou o dia da gente se reinventar. dói. mas tem dor que liberta, e nessa vida muitas vezes o que a gente precisa é se libertar e saber se libertar. te liberto. me liberto. pra fazer durar o que levaremos de bom um do outro. e num mundo que por vezes nos torna tão egocêntricos, foi bonito aprender a dividir com você. as lágrimas que me descem agora lavam e levam tudo aquilo que agora será memória. e o irônico de todo fim é mesmo esse poder de transmutar as coisas, as pessoas, os sentimentos. me enche o coração saber que de alguma forma já fui tua inspiração, música, admiração, uma imaginação real. viver teus sabores, criações, desejos. te conhecer de novo depois de tanto tempo, e fazer piada com o acaso e suas possibilidades. viver tua realidade, tua história, tuas novas etapas de vida. nesse caminho por vezes cheio …

sina da palhaça,

como fazer o outro rir?
quando tudo 
que por dentro de mim
brota,
apenas  escorre?



sol seja

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nessa vida
de tanto
amanhã
cimento
a gente 
aprende
que
a manha
é ser,










náufraga,

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pra dizer
o que não deveria ser dito
e só apenas sentido
quando transbordo
é porque lhe preciso
colo e ouvido
sem julgamentos
sem moldá-lo
sua vontade
em princípio

pra dizer
aquilo que não deveria ser dito
dentro do teu amadurecimento
paciência
eu preciso
da tua percepção ainda
em crescimento
esse desejo
de estar a sós contigo
e dizer tudo
só no olhar

pra dizer
o que eu ainda não deveria ter dito
me calo
tento entender
desse lado só
o que procuro
e acho que preciso
de ti
que está em mim

pra dizer
o que poderia ser dito
reflito
necessidade
pra não abrir ferida
em pele já cicatrizada
minhas inseguranças
um dia passarão
reviradas em mim
pra não te ferir,

um grito mudo

e sigo
economizando
 os mergulhos.