terça-feira, 29 de maio de 2012

"Será de Deus o mar?"


- você dormiu com ele?

- não, amanheci...



De leve ar.

de tudo o ar pode abrigar...


                                                      o beijo 
                                                        a palavra
                                                          o grito
                                                            o adeus
                                                              o olhar
                                             no AR ...
    
                                         

o ar só não abriga
o que fica do lado de dentro,
que abrigado já está.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Eu aqui vivendo mil emoções


E ele apenas vivendo...

De "hora de cuidar".

- Eu te amo, nunca esqueça disso.

Eu apenas poderia fazer isso mais vezes, mas acho que essa foi a primeira e a vez mais sincera que falei essas palavras. Depois caí no choro, do outro lado do telefone. Eu o amo, só que às vezes a vida me distrai por demais. Ele me disse que se sentiu rejeitado, e eu apenas tinha me sentido surpresa e preocupada com a minha própria vida. Pensei que ele só quisesse chamar atenção, tal qual criança. E era. Mas não Era. Era atenção de amor: 'me olhe, me queira, me procure... eu estou aqui, me ame, por favor'. Só que eu entendi tudo errado. E ainda bem que ele deu meia volta, e parou em um lugar seguro. Se algo tivesse lhe acontecido, não me perdoaria nunca, assim mesmo, bem clichê. O amo, mas às vezes simplesmente me esqueço disso. Ou não me esqueço, acomodo. É a segurança da presença, por mais que longe, eu sei que ele está lá, aqui, comigo. Como se eu já não tivesse aprendido isso antes. É preciso desacomodar. O amor precisa de cuidado, de declarações, de lembranças presentes. Além datas, além obrigações. Eu prefiro o natural, só que também é preciso criar, manter o natural, até que ele fique de fato natural. Eu que falava/falo tanto de cuidar, de amar. Hoje ele me fez chorar, e olhar a vida ao contrário. Até quando ele não quer, ou eu não peço, ele me ensina. Não posso pedir, se eu não dou. "Só é seu, aquilo que você dá". Como posso querer cuidado, se eu descuido. Não precisa ser de um, basta ser com um, tudo que está em volta de alguma forma é influenciado. Acho que hoje aprendi uma lição. Duvido muito dele, não posso mais duvidar. Estamos sós no mundo. Eu, ele, nossa falta de cuidar. Lhe avisei, de novo, e de novo, e de novo: "me ligue, me procure, me cobre". Como se estivesse falando no final das contas pra mim mesma. Ele agora é o pedaço que ainda tenho em terra, do que me gerou. Eu preciso ter cuidado, eu preciso amá-lo com mais cuidado, até que seja natural de verdade. Carinho, carícias, amor. Não há ser humano que resista a uma vida sem afeto. Deixa de ser humano. Hoje ele me deu uma lição: me ame, natural. Me cuide, eu preciso. Somos dois falando de uma coisa só. Hoje não queria dizer apenas "eu te amo", mas eu te cuido, pai. Me cuide também.





terça-feira, 15 de maio de 2012

olhos de azeviche.

olhos de azeviche que me seguem, confiantes, 
sem questionar caminho algum que faço.

os mesmos que todos os dias me acordam 
ao roçar da manhã, 
pedindo um pouco mais de cama e preguiça.

aqueles que olham para mim 
expressando todos os sentimentos do mundo, 
impossíveis de serem ditos em palavras, 
mas não por seus olhinhos.

olhos de azeviche que antes mal cabiam 
na palma de minha mão,
e agora mal cabem em meu colo.

da fidelidade inigualável sem tempo para remorsos. 
vivendo o agora, o pedido de carinho, de atenção, 
do cuidar, do brincar, da presença.

e é tão pouco o que esses olhos de azeviche me pedem, 
que eu não tenho como negar.