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o desejo, as palavras e a verdade

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nos cabe o desejo. e dentro do desejo o nascer transbordado  e apressado de uma intimidade convulsiva. compartilhada.  somos assim, todos: íntimos-desconhecidos dos inícios.  nos permitimos conhecer outro corpo, desbravar daquilo  que não é revelado para quase ninguém. e ao mesmo tempo  tememos, tememos as palavras. abusamos do tempo.  do medo de viver sentimentos, mesmos os fugazes. somos  treinados para prever o outro antes de nós mesmos. ainda  que exista o livre arbítrio do desencanto. adiantamos processos.  não nos permitimos viver o agora, a decepção... eu acredito  no afeto. o afeto que também mora dentro do desejo. construções  naturais. gente que não tem medo. vive. e por viver e sentir, sente.  de verdade. divide. reage. não se veste de fuga. não prioriza jogo  ou o prever de algo que talvez nem se classifique.  meu desejo tem afeto. não quer só o corpo, ele deseja a pessoa.



pedra bruta

você, me dá vontades.





vem  di  va  gar.




aquilo que não fixa, escorre.

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e hoje eu poderia reviver tantos eus tocados por ti, 
esse alguém que mal conheço e me adentra de tal forma  que nem eu mesma me conhecia ainda.  o desejo. 
e talvez tudo que é surpreendente viva o presságio  do ser breve ou único.  será? 
por mais que exista a memória  para perpetuar tais descobertas,  o querer desconhece os limites do tempo. 
e o encontro ou o reencontro deveria tornar-se  tudo aquilo que abriga o agora.  somente o agora,  esse que parece brincar  de "ego ego esconde esconde". 
e o desejo quando não fruto de dois, vira fixação.  que medo de você. que medo de mim. 
fomos humanos demais nas ações? falhamos?  eu falhei. continuo falhando. 
sinto, muito.  você, teima.  escorre em mim.

ME || DITA || AÇÃO

essa marca que fica quando você sai,  parece arrepio. 
você chega,  escorre,  muda temperatura. 
a luz reflete revelando a umidade  que acabara de anunciar sua presença. 
depois cê vai embora,  não espera,  evapora,  pra depois voltar de novo e de novo. 
cê vem acompanhado, não anda só... 
e é tudo tão grande,  que já nem cabe no olhar.  preciso pousar em ti tantas vezes,  por cada pedaço e detalhe,  pra que então se forme algum tipo de todo. 
é mágico. brincadeira de cores, luzes, texturas e sons. 
até que tudo se apague pra começar n'outro dia,  mais uma vez. 
ainda não inventaram despedida mais bonita que pôr-do-sol banhado de mar.

( Carta para uma Vênus em Câncer )

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A astróloga disse que você manja dos amores impossíveis. Tem tipo vício, sabe. Que nessa nova vida - porque ela também entende de vidas passadas - cê tava vindo pra se desfazer disso. Pra deixar de amar mais o amor que a própria pessoa com quem você tá. E cê sabe que isso não é legal, rei. Parece que gosta de sofrer. Isso não te faz bem não. Já te disse, escreve, dramatiza na ficção, na cena, senão tu acaba enlouquecendo na vida real. Porque cê faz essas coisas contigo? De brincar de voltar ao passado? Desaprende disso. Se ele não escolheu estar contigo, é escolha. Pra quê voltar no tempo tanto tempo depois? Eu sei, é escroto "comemorar" pu-bli-ca-men-te (tá vendo, até dei uma super conotação aqui) um ano de um começo quando para você - na mesma época, dia, data, hora (meti mais uma veemência aqui, tá bom assim?) - era tudo dor e fim. Dois dias. Dois dias depois. Eu sei que você acreditou ser mais essa mulher criada por ele, do que em você mesma. Se perdeu né, quem era você…

Pela liberdade de ser o que se quer,

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Quando nos falam que a gente precisa aprender a se amar antes de amar o outro, não é só sobre fazer o que gosta ou se agradar. O lance é profundo, pesa, dói, mexe com traumas e desconstruções, tem altos e baixos. Talvez maior desafio do que amar ou conviver ou dividir a vida com outra pessoa, é a tarefa de conviver consigo mesma/o. 
A gente vive numa sociedade que estar só parece sinônimo de fracasso, como se fosse status ou necessário ser amado/amada por alguém pra ter algum tipo de reconhecimento. 
Eu não quero ter relações pra essa sociedade, não quero dividir meu tempo com alguém só pra parecer algo ou cumprir um papel, eu não quero nunca ter medo de estar só. Tenho sido minha melhor companhia ao longo dos últimos meses. Muito bem acompanhada de amigxs e de uma família que me ensinam um monte sobre as relações de afeto. 
E sim, acredito que compartilhar a vida com alguém é massa, mas que isso seja verdadeiro, natural. Essa coisa da carência, desse amor romântico que nos impõem e cria…

De gente breve,

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Primeiro de tudo o resumi a uma coincidência do destino.
Essa minha mania de gostar do que é surpreendente.
Parecia que tinha que ser. O quê? Não sei. Só parecia.
Nos conhecemos. Porque o busquei, e ele respondeu.
Houveram trocas. E respostas. Promessas bobas.

Conexões permeadas pelo gosto do desconhecido.
Como quando a gente é criança e ganha algo novo.
Sensação de estreia. Curiosidade.
O sentimento pueril do descobrir.
E foi diferente. Nem intenso, nem já vivido.
É gostoso descobrir o novo em alguém. Descobrir alguém.

Só que o tempo costuma agir, como que se pudesse dar a medida.
E mede. Cruelmente. De um tudo.
De repente, as palavras tinham mais peso do que as ações.
A história perdia fôlego, mas continuava a andar.

Sem necessidade. Por essas coisas que os homens aprendem.
De não serem (ou não se permitirem ser) verdadeiros nem consigo,
nem com o outro. 
Desacreditar dos próprios sentimentos para cumprir um papel. 
Que e qual papel?

Quem se revela, ganha menos? Ou quem não se permite doar, ganha mais?