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[[ sobre processos ]]

o problema é quando parece se tornar algum tipo de estatística. a gente pensa logo que é apenas pessoal. às vezes é, mas nem sempre. é que antes de qualquer coisa temos os aprendizados individuais e, a depender da extensão de busca pelo autoconhecimento que nos cabe, ou que vamos nos provocando e nos pondo em desafio, pode ser que seja um tipo de vício. carícia negativa. ciclos que reforçam alguma incapacidade ou uma negação a qual ainda não mexemos a fundo. essas coisas doem, são desconfortáveis. é tudo aquilo que a gente não aprende a lidar. quem quer se cortar? quando é tão melhor ter uma pele lisinha, livre de marcas, cicatrizes. dor é algo ruim. se o corte é profundo e demora a cicatrizar pior ainda. a gente se engana tão fácil... se não fosse a dor, o que seria da nossa capacidade de defesa? anular algo que é intrínseco ao sentir é como negar uma parte de nós mesmos. tem também o lance da forma que utilizamos essa consciência. tenho pensado bastante que quando chegamos a conclus…

Diários de SP: Contra-fluxo.

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25 de junho de 2018

Contra-fluxo. Na rua "Não tenho" "Não posso ajudar". O rosto que vira para o lado contrário, o olhar que não cruza com o outro, evita, foge. Quem pede algo, insiste, fala, repete, expõe. A necessidade grita. A dor, o frio, o desespero, a solidão, a violência. O cinza. Um grande purgatório a céu aberto. E quem sabe o desafio seja se manter humano com tantas feridas abertas que precisam de atenção. Ou seria o não se tornar máquina, não se esconder comodamente entre camadas de roupas ou em sentimentos engasgados travestidos de fumaça. O toque sem querer de mãos no transporte público em que o outro pede desculpas como se tivesse cometido um ato terrível. Encostar, sentir. A distância contida na proximidade para o cumprimentar. No contra-fluxo o sol que traz cor, os sotaques que se reconhecem e acalentam, os abraços fortes e de corpo inteiro de quem confia sem questionar, disponibilidade. O olho que não escapa ao agradecer, a poesia rabiscada nas pare…

clima,

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o calor nos faz sentir mais as coisas.  é quando andamos menos desprotegidos,  apesar dos protetores solares.  é quando o corpo queima,  marca a pele, vemos mais as peles.  o corpo que enfim respira.  recebe. sente. descongela.  os climas que nos habitam deveriam  ser metáforas mais óbvias  das complexidades a que nos damos.  somos fáceis de leitura,  às vezes de difícil compreensão.  mas tá tudo aqui...  tão explicado.


Calma,

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Agora estou, e não sei ao certo aonde pertenço. Ao que pertenço? A maior constatação de se jogar no mundo, para o mundo, pelo mundo, é saber que sempre estaremos sós. Ninguém nunca alcançará o que somente nós podemos sentir, perceber, enxergar. E isso também é bom. Aguça nosso poder de adaptação, nossa sensibilidade dentro da instabilidade. Uma espécie de crescimento único ao qual precisamos nos permitir. Observo ao redor, nos outros e em mim, uma ânsia de alcançar alguns objetivos calcados em estigmas, daquilo que nos ensinam sobre ser adulto, amadurecer ou mesmo sobre ter vitórias. O que são as vitórias? Para quem são? Partimos de princípios e referências coletivas, mas nossas construções de caminhos são intrinsicamente individuais. Incluindo nossas escolhas de vida (quando possíveis socialmente), com o combo de suas respectivas consequências. E talvez, quando partilhadas em alguns relacionamentos, parte delas se percam para que nasçam outras tantas. Venho aprendendo bastante sobre …

UM CORPO

UM CORPO FORMADO 
POR UM TANTO

NÃO ESTÁ DISPOSTO
A QUALQUER OUTRO

ÀQUILO QUE NÃO É FIRME 
ESCORRE, PERCORRE

MAS UM CORPO FORMADO
POR UM TANTO

QUER SER PREENCHIDO, 
TRANSBORDADO 
POR DENTRO DE CADA CANTO.




primeira vez

Penso que um dos antídotos  pra essasurgênciasrepetições  quenosafligemdiaadia, que  chamamos por vezes de:
                                                                                                                                         r   r   r   r   r  r   r                                                                                                                                          o  o  o  o  o  o  o  t   t   t   t   t   t   t                                                                                                                                          i   i   i    i   i   i   i                                                                                                                                          n  n  n  n  n  n  n                                                                                                                                          a  a  a  a  a  a  a ,  talvez seja brincar de ter  "olhos de primeira vez"  pra  um < tu…

O que aprendi depois de Gil

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Um tempo atrás quando pensava em mudança, imaginava sempre algo relacionado a estar totalmente só, para aí sim o desafio ser real. Hoje aprendi que a gente não precisa estar só em nossos sonhos e desejos, nem negar apoio ou ajuda de quem tá perto. Isso não invalida a potência do nosso querer ou do nosso poder de realização. estar com é bom, é muito bom. Não precisar ser forte o tempo todo também. 
A solidão, a solitude, o crescer interno que somente tem o aval do acontecer a partir de nós mesmos também se faz das experiências que temos com os outros. Acredito hoje que o amadurecer também está nesse reconhecer das nossas vulnerabilidades, que não são necessariamente dependências ou relações utilitaristas. É buscar o saudável, o equilíbrio de tudo isso. 
No agora, a mudança que há tempos sonhei, vem se materializando com muita gente querida ao redor. E tenho por mim que depois que conheci algo sobre a morte de perto, essa espécie de ponto final que nos está fadado a acontecer enquanto hou…