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( Carta para uma Vênus em Câncer )

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A astróloga disse que você manja dos amores impossíveis. Tem tipo vício, sabe. Que nessa nova vida - porque ela também entende de vidas passadas - cê tava vindo pra se desfazer disso. Pra deixar de amar mais o amor que a própria pessoa com quem você tá. E cê sabe que isso não é legal, rei. Parece que gosta de sofrer. Isso não te faz bem não. Já te disse, escreve, dramatiza na ficção, na cena, senão tu acaba enlouquecendo na vida real. Porque cê faz essas coisas contigo? De brincar de voltar ao passado? Desaprende disso. Se ele não escolheu estar contigo, é escolha. Pra quê voltar no tempo tanto tempo depois? Eu sei, é escroto "comemorar" pu-bli-ca-men-te (tá vendo, até dei uma super conotação aqui) um ano de um começo quando para você - na mesma época, dia, data, hora (meti mais uma veemência aqui, tá bom assim?) - era tudo dor e fim. Eu sei que você acreditou ser mais essa mulher criada por ele, do que em você mesma. Se perdeu né, quem era você afinal? Um cumprir de expect…

Pela liberdade de ser o que se quer,

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Quando nos falam que a gente precisa aprender a se amar antes de amar o outro, não é só sobre fazer o que gosta ou se agradar. O lance é profundo, pesa, dói, mexe com traumas e desconstruções, tem altos e baixos. Talvez maior desafio do que amar ou conviver ou dividir a vida com outra pessoa, é a tarefa de conviver consigo mesma/o. 
A gente vive numa sociedade que estar só parece sinônimo de fracasso, como se fosse status ou necessário ser amado/amada por alguém pra ter algum tipo de reconhecimento. 
Eu não quero ter relações pra essa sociedade, não quero dividir meu tempo com alguém só pra parecer algo ou cumprir um papel, eu não quero nunca ter medo de estar só. Tenho sido minha melhor companhia ao longo dos últimos meses. Muito bem acompanhada de amigxs e de uma família que me ensinam um monte sobre as relações de afeto. 
E sim, acredito que compartilhar a vida com alguém é massa, mas que isso seja verdadeiro, natural. Essa coisa da carência, desse amor romântico que nos impõem e cria…

De gente breve,

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Primeiro de tudo o resumi a uma coincidência do destino.
Essa minha mania de gostar do que é surpreendente.
Parecia que tinha que ser. O quê? Não sei. Só parecia.
Nos conhecemos. Porque o busquei, e ele respondeu.
Houveram trocas. E respostas. Promessas bobas.

Conexões permeadas pelo gosto do desconhecido.
Como quando a gente é criança e ganha algo novo.
Sensação de estreia. Curiosidade.
O sentimento pueril do descobrir.
E foi diferente. Nem intenso, nem já vivido.
É gostoso descobrir o novo em alguém. Descobrir alguém.

Só que o tempo costuma agir, como que se pudesse dar a medida.
E mede. Cruelmente. De um tudo.
De repente, as palavras tinham mais peso do que as ações.
A história perdia fôlego, mas continuava a andar.

Sem necessidade. Por essas coisas que os homens aprendem.
De não serem (ou não se permitirem ser) verdadeiros nem consigo,
nem com o outro. 
Desacreditar dos próprios sentimentos para cumprir um papel. 
Que e qual papel?

Quem se revela, ganha menos? Ou quem não se permite doar, ganha mais?

vênus em câncer,

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o amor romântico não existe.  o amor é imperfeito,  se transforma,  compreende  e algumas vezes resiste. 
e não falo de resistência  no sentido de uma permanência  sem vontade  ou  por conveniência, 
mas de coragem,  alimento e  manutenção  daquilo que não é simples,  mas não é fardo. 
falo da paciência,  do auto-conhecimento  compartilhado em duo.  do riso depois da briga,  das pazes.  do complemento  e da saudade. 
do desenvolvimento da sintonia  e daquilo que é parceria. 
eu sou eu,  você é você  e juntxs  podemos ser  algo ainda maior. 
 ~ eu vivo o amor em mim e nxs outrxs também. aprendo junto. sou tão agente quanto testemunha de relações e de suas dificuldades, inclusive daquilo que perpassa o que é duo: as mazelas inevitáveis do tempo individual. eu acredito no amor, que mora em mim através do outro. as palavras são pontes, mas as nossas ações são os caminhos mais significativos de tradução desse sentimento. ~

Senhor do destino,

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é tudo processo,  tudo tudo mesmo. 
essa mania de querer ser baú de emoções antigas  nem sempre nos levará a memórias saudáveis ou  que deveríamos prolongar por tanto tempo. 
(( apego ))
até o próprio sofrimento tem a sua atração.  e é um perigo esse estado de vulnerabilidade  que não descasca, mas só expõe. 
quando a gente começa a identificar  o nosso próprio tempo ou  a reestabelecer o que de fato é saudável pra gente,  sem pular etapas, 
é bom.  muito bom. 
ainda que impermanente,  pensando que a vida é a instabilidade  e somos um bando de circenses  na corda bamba  com o mesmo frio na barriga  a cada novo  espetáculo. 
que a emoção de sentir  o próprio crescimento,  esteja sempre viva.

e a cada novo amanhecer
seja como raio que esquenta:
corpo e coração.



O que tenho aprendido aos 31,

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A gente cresce. Em primeiro lugar a gente cresce. Parece óbvio, mas às vezes pode não ser. Ainda me enxergo tendo reações ou atitudes de quando eu tinha uns 15 anos, ou mesmo uns 10 anos de idade. É normal? Pode ser. Digo, não no sentido de sublimar a necessidade do amadurecer por detrás de atitudes infantis, e sim, no aprendizado de comportamentos que não devem, bem como, não valem mais a pena serem repetidos. A vida pede responsabilidade. Essa palavra que vem com um peso junto. Não é tão grave assim. Também é normal. Meu pai vive repetindo "pra quem não quer viver, basta morrer". E o ponto é esse. Viver também é uma escolha, tem escolhas. Consequências, na verdade. Em tudo. Isso não é ruim. Só existe. O choque de realidade gera o crescimento. Interno principalmente. E caramba. Quando a gente se olha e vê alguma evolução no pensar, no sentir, ao se olhar, ao olhar o outro. Visão de mundo. Isso é tão bom! Não tou falando de olhar as tragédias do mundo, e "UAU, agora ten…

A fragilidade,

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quantas vezes você já chorou?
quantas vezes você já chorou de soluçar?
quantas vezes você já chorou sem se importar?
quantas vezes você já chorou sem ter vergonha?
quantas vezes você já chorou sem se julgar?
quantas vezes você já chorou por você?
quantas vezes você apenas chorou?

dentro de nós,
nuvens inteiras 
prestes a se derramar
somos terras férteis
que necessitam de irrigação

agora sou uma criança
tenho um rosto banhado por lágrimas
águas que escorrem de diversas fontes
sentimentos que se vão

chorar é bom

lembro de mim
lembro de vários nós
entre tantos eus

sentada em uma cadeira
meu olhar transborda
ela diz que estará comigo
incondicionalmente

deitada em sua cama
meu olhar transborda
ele não diz nada
e me oferece seu colo




entre abraços
meu olhar transborda
não dizemos nada
ela é parte nossa

cada dia que passa
o tempo parece
brincar de cronômetro

quanto falta
até que a gente aprenda
que a fragilidade
também será parte do nosso existir?