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percurso

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pra chegar
até ti

ponho-me
nas pontas dos pés

acomodo
minha cabeça
em teu ombro
~ enquanto
você faz o mesmo ~
fecho os olhos

os braços 
se entrelaçam
como enfeite

e juntos 
percorremos o mesmo caminho
peito a peito, suaves,
numa mesma batida de coração.




vênus em câncer,

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o amor romântico não existe.  o amor é imperfeito,  se transforma,  compreende  e algumas vezes resiste. 
e não falo de resistência  no sentido de uma permanência  sem vontade  ou  por conveniência, 
mas de coragem,  alimento e  manutenção  daquilo que não é simples,  mas não é fardo. 
falo da paciência,  do auto-conhecimento  compartilhado em duo.  do riso depois da briga,  das pazes.  do complemento  e da saudade. 
do desenvolvimento da sintonia  e daquilo que é parceria. 
eu sou eu,  você é você  e juntxs  podemos ser  algo ainda maior. 
 ~ eu vivo o amor em mim e nxs outrxs também. aprendo junto. sou tão agente quanto testemunha de relações e de suas dificuldades, inclusive daquilo que perpassa o que é duo: as mazelas inevitáveis do tempo individual. eu acredito no amor, que mora em mim através do outro. as palavras são pontes, mas as nossas ações são os caminhos mais significativos de tradução desse sentimento. ~

Senhor do destino,

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é tudo processo,  tudo tudo mesmo. 
essa mania de querer ser baú de emoções antigas  nem sempre nos levará a memórias saudáveis ou  que deveríamos prolongar por tanto tempo. 
(( apego ))
até o próprio sofrimento tem a sua atração.  e é um perigo esse estado de vulnerabilidade  que não descasca, mas só expõe. 
quando a gente começa a identificar  o nosso próprio tempo ou  a reestabelecer o que de fato é saudável pra gente,  sem pular etapas, 
é bom.  muito bom. 
ainda que impermanente,  pensando que a vida é a instabilidade  e somos um bando de circenses  na corda bamba  com o mesmo frio na barriga  a cada novo  espetáculo. 
que a emoção de sentir  o próprio crescimento,  esteja sempre viva.

e a cada novo amanhecer
seja como raio que esquenta:
corpo e coração.



O que tenho aprendido aos 31,

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A gente cresce. Em primeiro lugar a gente cresce. Parece óbvio, mas às vezes pode não ser. Ainda me enxergo tendo reações ou atitudes de quando eu tinha uns 15 anos, ou mesmo uns 10 anos de idade. É normal? Pode ser. Digo, não no sentido de sublimar a necessidade do amadurecer por detrás de atitudes infantis, e sim, no aprendizado de comportamentos que não devem, bem como, não valem mais a pena serem repetidos. A vida pede responsabilidade. Essa palavra que vem com um peso junto. Não é tão grave assim. Também é normal. Meu pai vive repetindo "pra quem não quer viver, basta morrer". E o ponto é esse. Viver também é uma escolha, tem escolhas. Consequências, na verdade. Em tudo. Isso não é ruim. Só existe. O choque de realidade gera o crescimento. Interno principalmente. E caramba. Quando a gente se olha e vê alguma evolução no pensar, no sentir, ao se olhar, ao olhar o outro. Visão de mundo. Isso é tão bom! Não tou falando de olhar as tragédias do mundo, e "UAU, agora ten…

A fragilidade,

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quantas vezes você já chorou?
quantas vezes você já chorou de soluçar?
quantas vezes você já chorou sem se importar?
quantas vezes você já chorou sem ter vergonha?
quantas vezes você já chorou sem se julgar?
quantas vezes você já chorou por você?
quantas vezes você apenas chorou?

dentro de nós,
nuvens inteiras 
prestes a se derramar
somos terras férteis
que necessitam de irrigação

agora sou uma criança
tenho um rosto banhado por lágrimas
águas que escorrem de diversas fontes
sentimentos que se vão

chorar é bom

lembro de mim
lembro de vários nós
entre tantos eus

sentada em uma cadeira
meu olhar transborda
ela diz que estará comigo
incondicionalmente

deitada em sua cama
meu olhar transborda
ele não diz nada
e me oferece seu colo




entre abraços
meu olhar transborda
não dizemos nada
ela é parte nossa

cada dia que passa
o tempo parece
brincar de cronômetro

quanto falta
até que a gente aprenda
que a fragilidade
também será parte do nosso existir?



segundo planeta do sistema solar,

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memória é
um tempo
que insiste
em ficar

saudade é
uma memória
presa dentro
d'um sentimento

e viver é
sentir 
memória
mesmo que
sem sentido,

seja como for,

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e por não saber 
me despedir da melhor forma
mesmo sentindo que aquela seria a última vez
que nos veríamos olho no olho

e por saber
que as palavras que ficaram no ar
esconderiam a falta de coragem 
que nós dois tivemos ao não revelar nossas verdades

e assim te des-saber

quando tenho saudades,
te ouço música

~ com as cores que te dei ~

o primeiro encontro até que enfim
o primeiro pôr-do-sol dentro do mar
o primeiro mergulho
a primeira andada em quadro de bicicleta
a primeira dança
o primeiro beijo debaixo de lua cheia 
o desejo, o tempo do desejo
tua face carregada de sol
meu corpo vestido de chuva
a beira da praia no meio do abraço

~ desconheço a certeza ~

hoje,
acho que te prefiro lembrança
quem sabe um dia a gente se ache 
em carinho do que é novo 
e mesmo com o tempo, se reconheça.