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O que aprendi depois de Gil

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Um tempo atrás quando pensava em mudança, imaginava sempre algo relacionado a estar totalmente só, para aí sim o desafio ser real. Hoje aprendi que a gente não precisa estar só em nossos sonhos e desejos, nem negar apoio ou ajuda de quem tá perto. Isso não invalida a potência do nosso querer ou do nosso poder de realização. estar com é bom, é muito bom. Não precisar ser forte o tempo todo também. 
A solidão, a solitude, o crescer interno que somente tem o aval do acontecer a partir de nós mesmos também se faz das experiências que temos com os outros. Acredito hoje que o amadurecer também está nesse reconhecer das nossas vulnerabilidades, que não são necessariamente dependências ou relações utilitaristas. É buscar o saudável, o equilíbrio de tudo isso. 
No agora, a mudança que há tempos sonhei, vem se materializando com muita gente querida ao redor. E tenho por mim que depois que conheci algo sobre a morte de perto, essa espécie de ponto final que nos está fadado a acontecer enquanto hou…

viver presente,

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intensidade quase nunca é sobre o tempo em que as coisas acontecem, mas sim sobre a entrega a que elas se permitem acontecer. a gente tem vivido uma época em que as urgências são tantas. eu, você, todos nós. há tanta ilusão vestida de projeção daquilo que ainda nem deu tempo de nascer e morre em atropelo de emoções, sentimentos, obrigações vestidas de papéis sociais. 
o sol quando cai, a gente já sabe de seu enredo, mas nunca é igual, nunca. tantas vezes que sentada a beira-mar um céu nublado se transformou num mergulho lindo de cores. a gente pode até querer imaginar onde as coisas vão dar, sabotar inícios em finais, temer futuros... 
mas se permitir sentir com tranquilidade e intensidade o presente, se deixar surpreender, ainda é uma das coisas mais bonitas que podemos fazer por nós mesmos e pelos outros.

desaguar,

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gente  precisa  encontrar  o lugar  onde  mora:
 a pausa,  a casa,  a asa.  e se  permitir  mergulhar.

coragem  não  define  o tamanho  da  profundidade. 
renascer  é sempre  necessário.
 no azul,  no calor,  na água  salgada  que sai e  na que  abraça.

lição marítima.

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Se você observar, em volta do mar o chão não é concreto.                                                          Mesmo um dia quem foi rocha, vem se tornar areia, completamente moldável.                    Em texturas e cores. 
Se você observar, a gente flutua quando tira o peso da mente e deixa o corpo se levar, ser levado. Quando a gente flutua o único som presente-latente é o da nossa própria respiração.  Quando a gente confia, a gente flutua.                                                                                                  A gente ~ se ~ ouve. 
Se você observar tem um mundo inteiro ao redor explicando cada sentindo da vida.            A todo instante.

responsabilidade afetiva

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será que nos pensam "psicarentes" ou à procura de qualquer paixão? será a sina do amor romântico e das "mulheres feitas pra compreensão"?                                                                            às vezes estar com o outro, ou escolher estar, não é sobre o definitivo. é sobre se conhecer, reciprocamente. saber mais de, usufruir da presença. as pessoas são mundos, porque não conhecê-los? me parece que os caras temem, não sei o quê. e partindo de uma realidade hetera, é difícil não direcionar "aos caras". a impressão que fica é de olhar pro lado e ver um monte de mulher foda: desprendidas, dispostas, interessantes. enquanto os caras temem. q-u-a-l-q-u-e-r tipo de relação. (se você não é um desses, mantenha e dissemine). passadas algumas inseguranças da juventude, acho muita demanda isso de ficar com alguém e depois ter medo, não saber se comunicar ou como agir (não falo de situações traumáticas, claro). a gente divide uma intimidade da porra e depois …

o desejo, as palavras e a verdade

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nos cabe o desejo. e dentro do desejo o nascer transbordado  e apressado de uma intimidade convulsiva. compartilhada.  somos assim, todos: íntimos-desconhecidos dos inícios.  nos permitimos conhecer outro corpo, desbravar daquilo  que não é revelado para quase ninguém. e ao mesmo tempo  tememos, tememos as palavras. abusamos do tempo.  do medo de viver sentimentos, mesmos os fugazes. somos  treinados para prever o outro antes de nós mesmos. ainda  que exista o livre arbítrio do desencanto. adiantamos processos.  não nos permitimos viver o agora, a decepção... eu acredito  no afeto. o afeto que também mora dentro do desejo. construções  naturais. gente que não tem medo. vive. e por viver e sentir, sente.  de verdade. divide. reage. não se veste de fuga. não prioriza jogo  ou o prever de algo que talvez nem se classifique.  meu desejo tem afeto. não quer só o corpo, ele deseja a pessoa.



aquilo que não fixa, escorre.

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e hoje eu poderia reviver tantos eus tocados por ti, 
esse alguém que mal conheço e me adentra de tal forma  que nem eu mesma me conhecia ainda.  o desejo. 
e talvez tudo que é surpreendente viva o presságio  do ser breve ou único.  será? 
por mais que exista a memória  para perpetuar tais descobertas,  o querer desconhece os limites do tempo. 
e o encontro ou o reencontro deveria tornar-se  tudo aquilo que abriga o agora.  somente o agora,  esse que parece brincar  de "ego ego esconde esconde". 
e o desejo quando não fruto de dois, vira fixação.  que medo de você. que medo de mim. 
fomos humanos demais nas ações? falhamos?  eu falhei. continuo falhando. 
sinto, muito.  você, teima.  escorre em mim.