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Mostrando postagens de Julho, 2014

expect-ativa

é um prato cheio


  (     )        \ de ansiedade /      (     )      \dissabor - ilusório/


Inverno baiano

                      |Sem p ó l v o r a,|
                      |O que apa v o r a |
                      |é o barril, 
 do frio. |

Benedito

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Benedito pensou em falar-lhe mil palavras Benedito pensou em cantar  Benedito pensou em beijar-lhe até que a respiração faltasse Benedito quis traduzir o bater do seu coração E ainda que qualquer pedaço de voz  Pudesse machucar ou superar expectativas Parou, segurou a mão dela, entrelaçou-se com seus dedos Levou-a até a beira-mar, olharam para o horizonte, juntos

E  Sem precisar falar | o que os dois já sabiam |  Não haveria nada| naquele exato momento |                             Com maior profundidade                                                         intensidade                                                           imensidão,                                                                                  que o mar.


Pelos olhos de Benedito o mar escorria E pelos olhos dela, o horizonte, diminuindo aos poucos, entre o breve momento que se revelava no fechar de suas pálpebras.
Benedito quis ser uma aurora colorida de raios para iluminá-la Mas Benedito entendeu que todo mar-horizonte  também é fei…

o poema holofote

o poema-holofote
em fuga
entrou boc'adentro da boca 
do estômago.
aprendeu a voar com  borboletas transformou casulo em saída, janela pra futuro.
o poema-holofote cresceu intenso derramou-se de dentro 
pra fora
saindo língua  salivando o gosto de cada palavra cada ponto cada entonação.
depois tomou vida tomou papel tomou digitais.
sem pudor
revelou-se
no corpo,
na fala,
na alma,

o poema-holofote nasceu pra expor o verso.


Poesia 1

a poesia em pedaços é pó que fixa.
ped aço de pó fixa dor.

Ficar e fixar

desculpe a agressividade do corpo o toque de suas palavras ainda é mais intenso que qualquer gozo.
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Arriscar é 
andar por
pisos 
muito largos
perpassados de
buracos
que dão pra um
chão 
tão concreto
quanto o
mar





Sobre horizontes, interiores e capitais.

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A primeira vez que senti essa sensação foi em uma viagem até Vitória da Conquista, interior da Bahia, alguns anos atrás. Parece que era a primeira vez que eu via uma cidade com horizontes tão alcançáveis. Quem sabe o fato da falta de horizonte não ter tido um peso maior antes, eu só tenha a constatado sintomaticamente naquela ocasião. Muito inspiradamente pela rotina crescente dos prédios cada vez maiores em Salvador. Daí que nesse último feriado, essa mesma sensação se fez presente. Me fazendo pensar na profundidade que habita a palavrar 'interior' e de poder, estando nesse interior (lugar), encontrar o verdadeiro horizonte, tal qual fosse imensidão interna, não só de visualizar, mas de sentir. Na cidade, outro dia, andando em meio a uma das avenidas principais, a única coisa que conseguia ver em minha frente era um horizonte comprimido, permeado de prédios, transformando o mar-horizonte em um filete quase inexpressivo. O mar parecia que seria espremido até sumir. E quem sabe…

Da série: Isso é coisa da Bahia. Crônica 2.

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Salvador, 19 de junho de 2014
Pedaços de Red River.
Daí que você sai pra desopilar em plena quarta, pré-feriado, já pensando no vizinho do capeta tuntz tuntz. No meio da conversa de largo, tomando um cereal (pq cevada com teor alcoólico a vera aqui é artigo de luxo), uma confusão, corre-corre, aí você sabe que a porra empenou quando começam o quebra-quebra de garrafas e cadeiras... Pronto, era pra ter emoção, mas nem tanta. Chega a polícia, os envolvidos defendem suas teses, parece que certo tipo de gente abonada resolveu não pagar a conta. E justamente a conta do local do cereal. O garçom passa nervoso: "a gente aqui trabalhando o dia todo, e essas misera quer sair sem pagar...". O primeiro ato da história é revelado. Já observando o trabalhador mais calmo, resolvo pedir um outro copo, que em meio a confusão se perdeu. Um amigo brinca que joguei no meio da briga. O garçom retruca: 'era pra picar* na cara deles!'. Segundo ato, uns quatro meninos bombadinhos de canela f…

Da série: Isso é coisa da Bahia - Crônica 1.

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Salvador, 08 de agosto de 2013
Do Porto
Tarde de sol na tarde de inverno de Salvador, depois de uma chuva violenta pela manhã. Uma ligação quase no fim do dia faz um convite muito bem-vindo "que tal uma praia?". Ok, aceito de bom grado, tudo que precisava era um mergulho com Yê, rainha das águas, tem tempo que a gente não conversa profundo. Chego um pouco antes na praia, o sol é quase como um abraço caloroso. Me encosto no alambrado-varanda e observo um pombo, que ao invés de voar, prefere subir a escada que dá acesso a praia, degrau por degrau. Pois é, não tá fácil pra ninguém, quem sabe o colesterol dele estava alto, ou apenas preferiu um pouco de mudança na rotina, uma vida mais saudável. Resolvo variar de lugar, enquanto espero minha companhia, e me aproximo de uma barraca de coco. De repente um rapaz vira pro dono da barraca e trava-se o seguinte diálogo:

- Você fuma? - Ahn?! ... não. - Mas fica doidão, não é?! - (o dono da barraca continua o exercício da compreensão) - É rei,…