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Mostrando postagens de Julho, 2016

Sem você

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A necessidade de ter ou re-significar algo que no agora já não faz mais sentido. O que restou daquilo que um dia foi sonho em construção? Talvez você não tenha tido a dimensão do quanto você significou pra mim. E me pergunto se a capacidade de reconhecimento do outro é mesmo assim tão egoísta pra ti que não possa se dar o risco da existência? Te desconheço e não aceito mais ser qualquer coisa, que apenas te alimente a auto-estima ou diminua um pouco mais a minha. Dói sabe, isso de deixar ir, sentindo que nada que preencha harmoniosamente em duo parece ter ficado. Me enxergar refletida numa figura meio mãe, meio terapeuta de alguém que gostei como homem de verdade, inteiro. Defeitos, erros, descobertas, acertos, estreias e qualidades. Não quero esse papel pra mim. De repente o recíproco é um desafio interno de cada um ou daquilo que importa pra cada um. Ou do que cada um sente e mergulha. É tão difícil assim expressar e expor em palavras, em sentimento, em retorno, assumidamente o que …

De reciprocidade

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"quando falta amor o que sobra é ego"


Um amigo me disse isso outro dia, e agora essa frase ecoa. Talvez as palavras não tenham sido exatamente essas ou nessa ordem, mas a essência se manteve. Me fez lembrar sobre o cuidar, que é tão importante nas relações de afeto. Sejam elas quais forem. Que também tem a ver com o se dar sem necessariamente estar atrelado ao receber em troca, ao condicional. É o natural. E o que seria essa condição, então? Uma segurança atrelada ao poder que existe sobre o sentir de outrem? Me questiono no agora sobre essas relações de afeto que mais parecem sugar. Que se comprometem apenas consigo mesmo. Que não se abrem, não se entregam por completo, mas se dão por satisfeitas quando da entrega plena do outro, a qualquer momento, a qualquer necessidade que seja a sua própria. O poder. Saber-se amado, amada, bem quisto por outro alguém e por mais que não haja uma reciprocidade integral ou num mesmo nível igualitário (e o que é igualitário no gostar enquant…

de flutuar

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navegar é preciso flutuar não é preciso
- vou te encontrar "den'd'água" - debaixo d'água não se ouve - é, se sente...
os pés sem o fixo pra viver aquilo que é fluxo ainda que dentro do mar profundo os corpos e seus pesos em superfície flutuam, leves
















confio e você  como onda me conduz sem saber sem tocar tocando tudo de repente perco o medo deixo ser levada... ao redor luzes colorem como moldura  teu corpo-olhar-sorriso você pôr-do-sol e eu horizonte  a te admirar,

gente que se entrega,

mar a frente
para todo fronte
horizontes
de tudo
que é
ou
torna-se
possível
passível
de ser vivido

s e m 
      e
      d
      o

olhar o profundo
e se jogar:
riscos
feridas
esperanças
sonhos
desejos
lágrimas
sons de risada

é bonito 
faz mais
sentido
sentir 
aprender com
os que não tem medo de 
viver a ação
ser mais que o próprio
mergulho:
ter a coragem
de se manter submerso,
sem âncora,
sem vela
e ainda assim,
continuar a nadar.

ter asas

entre me descobrir  filha das águas e ser ar
apenas me permito sentir
descubro um balanço logo a frente e me entrego.  ser criança de novo, ou apenas ser, sem classificações.  balanço e a cada nova ida-vinda me empolgo, a ponto de querer voar.  gostaria de ter o poder de voar,  é quase como ser livre.  o vento na cara, os cabelos em desordem, um sentimento de liberdade, o frio na barriga a medida que a altura aumenta,  vontade de passar o resto da vida ~ voando ~ e é no ar, assim como nas águas, que me reconheço. por fim, decido: quando a minha própria morada eu tiver no fundo haverão: um jardim e um balanço, pra voar sem limites, a hora que eu quiser.

sobre desejos

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ir
e tão somente ir
desengavetar
esse verbo novo
que diz respeito
a levantar a poeira
e reinaugurar
os antigos desejos


ir
e tão somente ir
sem pensar em voltar

ir
para se reconhecer
dentro dos desejos
já tão escondidos

ir
para viver aquilo
que sempre esteve
mas nunca foi
e agora será
vôo



sobre desejos

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ir
e tão somente ir
desengavetar
esse verbo novo
que diz respeito
a levantar a poeira
e reinaugurar
os antigos desejos


ir
e tão somente ir
sem pensar em voltar
ir
para se reconhecer
dentro dos desejos
já tão escondidos
ir
para viver aquilo
que sempre esteve
mas nunca foi
e agora será
vôo



sem ilusão

o tempo que passa
só revela
o medo de desagradar
por ser quem se é
(você não deveria temer
sua falta de jeito)

sabe de uma coisa?
tudo tem seu tempo
e coração ferido
tem cura prolongada

em toda ou qualquer 
proximidade,
desleixo
- não necessários -
parece-lhe faltar o cuidado

vejo essa necessidade
do teu querer bem
somente a ti mesmo
olhar voltado pro umbigo
aquele que eu já havia
descoberto, entre língua e coração

quando resolvi escolher
o lugar pra sair
tive sorte
achei a porta certa

imagino daqui
que se nesse quarto
- com janelas e entradas trancadas
decoradas de ilusões -
ainda eu estivesse

a dor
essa a quem já conheço
(e não é desse agora)
seria muito maior

a sorte
essa a quem estou re-conhecendo
revela que nada mais bate no peito
a não ser minha vontade
de cuidar de mim

então
não se engane
te conheço
mais do que você 
a ti mesmo
isso se chama idade
coisas do tempo

não me iludo
não me iluda
a verdade
é um bem
que só co/move aquilo que é real.