O que tenho aprendido aos 31,

A gente cresce. Em primeiro lugar a gente cresce. Parece óbvio, mas às vezes pode não ser. Ainda me enxergo tendo reações ou atitudes de quando eu tinha uns 15 anos, ou mesmo uns 10 anos de idade. É normal? Pode ser. Digo, não no sentido de sublimar a necessidade do amadurecer por detrás de atitudes infantis, e sim, no aprendizado de comportamentos que não devem, bem como, não valem mais a pena serem repetidos. A vida pede responsabilidade. Essa palavra que vem com um peso junto. Não é tão grave assim. Também é normal. Meu pai vive repetindo "pra quem não quer viver, basta morrer". E o ponto é esse. Viver também é uma escolha, tem escolhas. Consequências, na verdade. Em tudo. Isso não é ruim. Só existe. O choque de realidade gera o crescimento. Interno principalmente. E caramba. Quando a gente se olha e vê alguma evolução no pensar, no sentir, ao se olhar, ao olhar o outro. Visão de mundo. Isso é tão bom! Não tou falando de olhar as tragédias do mundo, e "UAU, agora tenho noção do sofrimento que existe para além do meu próprio umbigo". Não, não é isso. É sobre aquilo que te motiva, nos motiva a viver cada dia sem parecer que estou/estamos dando um passo atrás. Nada contra as falhas, os defeitos, os erros. O passo atrás que digo é repetir ciclos que não nos acrescentam verdadeiramente em nada. Comiseração. E no fundo, bem lá no fundo a gente sabe e pressente aquilo que é bom pra gente. Porém crescer é duro. Fazemos armadilhas pra nós mesmos, para diminuir a dor dessa consciência. Por saber que pós-juventude, o crescer também traz consigo a proximidade do que aprendemos que é o fim. Mas o que é o fim? A gente só deveria se responsabilizar pelo nosso agora. Vivemos sequestradxs em construir uma vida de plenitude. O que é a nossa própria plenitude? Que não seja um modelo do que é o "bem sucedido" criado e repetido pela sociedade à nossa volta? Isso enlouquece as pessoas. Eu tenho 31 anos e me pego pensando às vezes nas duas únicas e breves relações que tive. Parece pouco. Cadê a prospecção de família? Os relacionamentos duradouros? O emprego com status e garantias? Casa? Carro? Filhos? Netos para meu pai? Sobrinhos para minha irmã? Nunca irei aprender a dirigir? E dessas indagações, quais são as que fazem profundamente um sentido pra mim? Voltei pra terapia. Isso sim tem me feito um grande bem. Um tempo pra mim. Daí que descobri uma gastrite há algumas semanas atrás. Surtei. Lembrei de minha mãe. No meu caso não é grave, e também era um exame que já deveria ter feito há tempos. Tem um fundo emocional. Ninguém precisou me falar. Eu sei. Eu senti, e sinto. São muitas mudanças que me ocorreram nos últimos anos. O que meu corpo tem pedido pra eu digerir que eu apenas ignorei esse tempo todo? Minha mãe sempre repetia "a gente sem saúde não é nada". Eu agradeço a minha mãe, por cada aprendizado que ela me passou e que hoje fazem pleno sentido. A vida é processo. O tempo me dá essa felicidade de um entendimento consciente das coisas. Me sinto mais viva, mais humana. Me conhecer tem sido uma experiência incrível. Boa e ruim.  Às vezes é tediosa. Aí lembro que a vida é isso. Não é ápice o tempo todo. Eu só posso agradecer pelas coisas que tem chegado até mim, como que na hora certa. Não faço descaso de nenhum sofrimento, vou sempre "mantrear": é tudo parte. Só que a gente pode aprender a ser mais verdadeirx consigo mesmx. Não é somente aquilo que dói que faz crescer, nem unicamente o que é maravilhoso, mas o que fazemos com isso tudo. Em quem nos transformamos. Tenho alguma conclusão? Ainda não. Pois parafraseando meu pai: bastar estar vivo, para aceitar o desafio do crescer. E, nesse agora, eu apenas aceito. 



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