o desejo, as palavras e a verdade


nos cabe o desejo. e dentro do desejo o nascer transbordado 
e apressado de uma intimidade convulsiva. compartilhada. 
somos assim, todos: íntimos-desconhecidos dos inícios. 
nos permitimos conhecer outro corpo, desbravar daquilo 
que não é revelado para quase ninguém. e ao mesmo tempo 
tememos, tememos as palavras. abusamos do tempo. 
do medo de viver sentimentos, mesmos os fugazes. somos 
treinados para prever o outro antes de nós mesmos. ainda 
que exista o livre arbítrio do desencanto. adiantamos processos. 
não nos permitimos viver o agora, a decepção... eu acredito 
no afeto. o afeto que também mora dentro do desejo. construções 
naturais. gente que não tem medo. vive. e por viver e sentir, sente. 
de verdade. divide. reage. não se veste de fuga. não prioriza jogo 
ou o prever de algo que talvez nem se classifique. 
meu desejo tem afeto. não quer só o corpo, ele deseja a pessoa.




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