não negue ternura

- Como tá o jardim?

- Como tá sua mãe?

- Cês ainda tão juntos?

- Como tá seu dia?

- Como tá você?

Mas em meio a uma explosão de sentimentos, entre a ansiedade do pensar e o realizar ao dizer, eu só consegui falar de mim. E nem eram coisas que faziam sentido. Afobamento purinho. A necessidade espontânea, quase entrecortante, de te contar as novidades da minha vida em  poucos minutos, sabe sei lá quantos. Nunca sei quanto vai durar a sua presença. Parece uma bomba relógio,  que a qualquer momento pode ser desarmada ou não. Daí vem aquele sensação de "não quero atrapalhar seu tempo". E você vai embora, e dessa vez já não olho pra trás, ainda que meu coração continue falando mais alto que a minha voz. Eu sempre quero que você fique. Mas você sempre precisa ir. Me inebrio com uma esperança desilusional. Parece que ela fica guardada em uma sessão de arquivos internos e, quando desses reencontros, ameaça sair... Agora é diferente. A gente envelheceu. E quase tropeço naquele "e se", "e como seria"... A realidade é iminente. Os caminhos e as escolhas. É que eu sonho a gente. No fundo, no fundo, eu queria mesmo era te sentir me abraçar. De tudo que imaginei naquela noite, essa foi a única parte que o viver falou mais alto que a imaginação. E eu só queria saber...

- Como tá você?

- Como tá seu dia?

- Cês ainda tão juntos?

- Como tá a sua mãe?

- Como  tá o jardim?



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